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@my_redhair

A regra dos três anos

Um monte de baboseira sentimental motivada por uma causa justa :)

Quando era criança, os dias passavam devagariiiiiiinho, quase se arrastando. Lembro que quando estava na primeira série, não via a hora dos três anos até a quarta série passarem, queria crescer, me misturar com os mais velhos, sair da sala de criança xexelenta onde estava.

Eu, bem.. Cheguei à tão esperada quarta série, não cresci lá muita coisa, mas comecei de fato a sentir a vida de outra maneira. Nunca fui cristã, não era das que ajoelhavam ao lado da cama pra rezar todas as noites, mas sempre acreditei existir algo mais forte que nós mortais nos bastidores desta peça, algo como um jogador de xadrez, como se a vida fosse um tabuleiro. E assim, com 10 anos, eu passei a ter um certo medo dela.

Por sorte (ou azar), sempre tive ao meu lado alguém pra me levar pela mão e me guiar pelo mundo. Esse alguém foi minha mãe.

Vários “três anos” se arrastaram, todos com sustos salpicados, e destes sempre nasciam doses de coragem motivadas pela alegria e vontade de viver que ela possuía. Contrariando o padrão, por fim, quando o final da sexta das etapas dos três anos estava terminando, a vida cumpriu as ameaças que vinha fazendo há muito, e bruscamente a levou de nós.

Então eu tive certeza sobre quão efêmera e egoísta era nossa existência, onde nos eram apresentadas maravilhas, amores eternos, pessoas boas, lugares de perder o fôlego, mas como tudo em um instante nos poderia ser tomado de uma vez, como de repente conheceríamos seu lado negro, pessoas sem caráter e teríamos ciência de tanta decepção.

Demorei pra sarar disso tudo, e arrisco dizer que as feridas nunca vão cicatrizar. O tempo fez, no máximo, que elas parassem de arder. Estarão sempre lá, abertas, sangrando com o mais leve raspão.  Pelo menos, disso tudo, eu tirei uma forcinha. Tirei também muita melancolia e uma certa amargura, mas acredito que esta sirva mais para a auto-defesa do que apenas pelo esporte.

Hoje começa a sétima das etapas dos três anos, e hoje, exatos três anos depois que a vida a levou fisicamente, mas que nunca vai apagar do meu sangue, da minha pele, das memórias boas e da doçura quase irreconhecível e tão esporádica que me toma quando começo a falar dela, eu sei que estou pronta pros solavancos que estão a me espreitar por aí.

  • 2 months ago
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